etnociências no Brasil. A SBEE foi fundada durante o I Simpósio Brasileiro de Etnobiologia e Etnoecologia, promovido na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) em Feira de Santana, Bahia, em 1996, reunindo um total de 250 participantes.
Os pesquisadores associados à SBEE devem promover, divulgar e implementar os princípios da “Carta de Belém”, além de seguir os princípios do “Código de Ética da Sociedade Internacional de Etnobiologia (ISE)”. As principais finalidades desta entidade são as de congregar as pessoas interessadas no desenvolvimento dos estudos etnobiológicos e etnoecológicos, incrementando a formação e reconhecimento profissional, como elementos indispensáveis no inventário e estudo do patrimônio natural e cultural brasileiro, de modo que novos pesquisadores tenham um suporte técnico e que se estabeleçam normas de ética profissional.
Os estudos etnobiológicos e etnoecológicos referem-se às pesquisas relacionadas com aos aspectos cognitivos (saberes), ideológicos (visões de mundo) e comportamentais (práticas de manejo) dos recursos naturais pelas populações locais. A SBEE defende a adoção de modelos de desenvolvimento que respeitem os ambientes das populações locais e reconheçam seus direitos de uso dos recursos e conhecimentos.
A SBEE vem desenvolvendo esforços para a manutenção da diversidade biológica e cultural, reconhecendo a necessidade de participação efetiva destas populações, na elaboração de políticas públicas que afetem os ambientes dos quais dependem. Desta forma, a SBEE vem trabalhando no sentido do valorizar o saber local no desenvolvimento de políticas públicas culturalmente apropriadas.
A SBEE organiza, bienalmente, o Simpósio Brasileiro de Etnobiologia e Etnoecologia, cuja primeira edição ocorreu em Feira de Santana, Bahia (1996) e a mais recente em Belém, Pará (2008). Além disso, promove eventos de caráter regional, articulados a partir das representações regionais da entidade: Nordeste, Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. O primeiro evento regional organizado pela SBEE foi o I Encontro Baiano de Etnobiologia e Etnoecologia (Universidade Estadual de Feira de Santana, 1999), que reuniu pesquisadores e estudantes de vários estados do Nordeste. Dando continuidade, organizou-se o II Encontro Regional de Etnobiologia e Etnoecologia (Universidade Estadual de Santa Cruz, 2001). Em 2005 o III ENEE finalmente cruzou as fronteiras da Bahia e foi realizado em Recife (Universidade Federal Rural de Pernambuco). O IV Encontro Regional de Etnobiologia e Etnoecologia, voltou a ser realizado na Bahia, na Universidade Estadual de Feira de Santana, 1999). Propõe-se agora o V Encontro Nordestino de Etnobiologia e Etmoecologia, a ser realizado pela primeira vez na Paraíba, visando levar adiante esse esforço de organizar os etnocientistas em nível regional.
Relevância do evento
Para o V ENEE, o tema escolhido: “DO LITORAL AO SERTÃO: DIVERSIDADE BIOLÓGICA E CULTURAL” reflete o crescente interesse dos pesquisadores nordestinos na compreensão e interpretação do saber local em seus diferentes aspectos, além do interesse em solidificar este campo do conhecimento nas universidades e órgãos de pesquisa no Nordeste, utilizando tais conhecimentos para promoção do uso sustentável da Biodiversidade. O desafio é a constante busca em conciliar os objetivos científicos com as prioridades das populações locais, reconhecendo seus direitos e ao mesmo tempo garantir a manutenção dos recursos naturais. Além disso, será também um momento para avaliar o estágio atual das pesquisas nesta área e discutir eventuais re-direcionamentos do enfoque das pesquisas. Para isso, serão organizadas mesas-redondas, painéis, palestras, e eventos culturais, com a participação de pesquisadores, lideranças de movimentos sociais e instituições governamentais.
O Nordeste é a única região brasileira que possui em seus limites uma parcela de todos os grandes biomas brasileiros. No litoral ao sertão temos recifes, praias, manguezais, restingas, Floresta Atlântica, Cerrado e Caatinga. Associado a isso possui diversidade cultural que utiliza os recursos biológicos de diferentes formas.
A região Nordeste vem se destacando no campo da etnobiologia e da etnoecologia, tanto em relação ao ensino como à pesquisa. Disciplinas de cunho etnocientífico vêem sendo lecionadas há vários anos nas universidades, em níveis de graduação a pós-graduação. Programas de Pós-Graduação contam com linhas de pesquisa diretamente relacionadas a etnobiologia e etnoecologia, contribuindo para a formação de novos profissionais na área. O Nordeste tem se consolidado, portanto, com um centro gerador e difusor de conhecimento etnocientífico, tanto em nível regional como nacional. A realização de eventos como este V ENEE virá para dar suporte a este campo de conhecimento que ainda carece de maior reconhecimento e visibilidade, principalmente por parte de órgãos financiadores de pesquisa científica.
O V ENCONTRO NORDESTINO DE ETNOECOLOGIA E ETNOBIOLOGIA será realizado nas dependências da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), no período de 18 a 21 de novembro de 2009. Estas áreas do saber ocupam-se do conhecimento e das conceituações desenvolvidas por qualquer sociedade a respeito da biologia e da ecologia. Estudam o papel da natureza no sistema de crenças e de adaptação do homem a determinados ambientes apresentando uma extensa área de atuação, por seu caráter interdisciplinar. Nos últimos anos tem havido uma ampliação das disciplinas de Etnobiologia e Etnoecologia nas Instituições de Ensino Superior no Brasil, sendo importante como proposta de Educação Científica em Ciências e como caminhos para compreender as relações entre a “natureza” e a “sociedade”.
Este evento será realizado pelo Departamento de Biologia da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), com apoio da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), e em parceria com a Sociedade Brasileira de Etnobiologia e Etnoecologia (SBEE). Conta com uma comissão organizadora que inclui pesquisadores e alunos do Departamento de Biologia da UEPB. O objetivo do V ENEE é criar oportunidades para o debate, troca de experiências e para facilitar a articulação entre os conhecimentos das populações locais e aqueles produzidos em instituições formais de ensino e pesquisa. Em especial, buscar-se-á:
- Fortalecer e divulgar as etnociências na Região entre estudantes, pesquisadores e agências financiadoras;
- Aproximar pesquisadores e as comunidades envolvidas diretamente com os trabalhos em etnociências, promovendo discussões pertinentes às questões ligadas ao conhecimento local e aos seus direitos, sustentabilidade ambiental e manutenção da cultura tradicional;
- Promover discussões perante algumas temáticas relacionadas com os direitos das populações locais, ética, políticas públicas e desenvolvimento científico.